TEMPO DE IRRIGAR

MODELOS DE PROJETOS DE BENEFICIAMENTO DE PEQUENAS PROPRIEDADES RURAIS COM SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO:



O presente trabalho constituiu um esforço da antiga Diretoria de Engenharia Rural do DNOCS - Equipe de Coordenação do PROINE, por mim dirigida, no sentido de uniformizar e racionalizar procedimentos no que toca a elaboração de pequenos projetos de irrigação à nível de propriedade privada.

sábado, 5 de junho de 2010

2.3.1 Irrigação em sulcos (adução e drenagem)

3 - Determinação do Sistema de Adução:


a - Dimensionamento do Canal de Irrigação (elementos básicos):

- Seção

- Vazão inicial máxima (Q1)

- Declividade (I), em %

- Índice de rugosidade (Y), encontrado em tabelas.

- Base do canal (b) -arbitrado, em m.




b - Aplicando-se a fórmula de "Manning":



4 - Determinação do Sistema de Drenagem


a - Dados Básicos:

- Exesso de água de chuva (H)¹, em mm/dia

- Evapotranspiração da área (Ev), em mm/dia

- Infiltração básica (Ib), em mm/dia

- Tempo de drenagem (T), em 24 horas


b - Volume a ser drenado (Q)


- Q = 2,78 Cd, sendo:

Q = capacidade do dreno, em l/s/ha

Cd = coef. de drenagem, em mm/dia


Sendo: Cd = (H-Ev-Ib) / T, logo:

Q = 2,78 x (H - Ev - Ib) / T


c - Cálculo do coletor (canal)


Dados Básicos:

- Vazxão a transportar (Q)

- Seção

- Declividade (I) %

- Índice de rugosidade (Y)

- Base do canal - arbitrado (b), em m

- Área transversal (A = h(b+mh)


Sendo:

A - área da seção, em m².

h - altura da lâmina d'água, em m.

b - largura do fundo do canal, em m.

m - inverso da declividade das faces laterais.




d - Aplicando a fórmula de "Manning"






(¹) - Quando não se dispõe de dados, usar no mínimo 50mm/dia.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

2.3.2- Inundação em Tabuleiros


2.3.2 - Inundação em Tabuleiros - Esse sistema de irrigação é mais apropriado para o cultivo de arroz, em solos de textura pesada (baixa permeabilidade). Ha necessidade de sistematização dos solos, tornando-os planos e/ou com declividade uniforme e construção de marachas, pequenos diques dividindo a área total a irrigar em sub-áreas.

1 - Dados Básicos:
- Cultura (Arroz)
- Área (A), em ha
- Densidade aparente (Da), em %
- Capacidade de campo, em %
- Umidade de murcha (Um), em %
- Velosidade de infiltração básica (Vib), em mm/dia
- Altura máxima da lâmina de inundação (Lm), em m
- Coeficiente da cultura (Kc) - para o arroz Kc = 1
- Evapotranspiração real (Etr), em mm (Etr = Etp x Kc) logo: Etr = Etp
- Profundidade das raizes (Pr0, em m
- Uso consuntivo diário crítico (Ucd), em mm
- Lâmina inicial de irrigação (Li), em mm
- Tempo normal de irrigação diário (t), em horas

2 - Cálculos de Irrigação
- Lâmina de saturação do solo (Ls), [ Ls = (Vol. do solo x Da x Ud)/ 1000 ]
-Lâmina consumida por turno de rega (Lc), [Lc = Lm - Ls]
-Uso consuntivo bruto diário (Ucb), [Ucb = Vib + Ucd]
-Eficiência de irrigação (Ei), [Ei = Ucd/Ucb]
- Turno de rega (Tr), [ Tr = Lc/Ucb ]

3 - Cálculos das Vazões Necessárias

a - Elementos a Considerar:
-Lâmina inicial de irrigação (Li) (recomendado 50mm )
-Lâmina de saturação do solo (Ls)
-Lâmina total inicial (Lti), [ Lti = Li + Ls ]

b - Vazão necessária da irrigação inicial (Qi) [Qi = (Lti x A) / (Tr x t)]

c - Vazão da irrigação de manutenção (Qm), [Qm, = A x Ucb / t]
4 - Determinação do Sistema de Adução e Drenagem - Os cálculos seguem a mesma sistemática desenvolvida no Sistema de Irrigação Anterior, observando-se a utilização ou não de sistema de elevação (rede adutora e conjunto eletro ou moto-bomba), para condução da água de irrigação até os canais primários e/ou parcelares.



Elementos da Seção Molhada de um Canal

CANAIS – Elementos da Seção Molhada de um Canal:

Declividade Recomendada em Função da Vazão:

Vazão

Declividade

Grandes canais - vazão superior a 10.000 l/seg.

Médios canais – vazão de 3.000 a 5.000 l/seg.

Pequenos canais – vazão de 100 a 3.000 l/seg.

Canais com menos de 100 l/seg.

I = 0,10 a 0,30 por mil

I = 025 a 0,50 por mil

I = 0,50 a 1,00 por mil

I = 1,00 a 4,00 por mil

Valores do Coeficiente “Y”

Natureza das Paredes

Valores de Y

Paredes lisas (cimento)

Paredes de alvenaria de tijolos revestida

Paredes de alvenaria ordinária de pedra

Paredes de terra e cascalho

Parede de terra comum

0,06

0,16

0,46

0,85

1,30

Valores dos Taludes – Paredes sem revestimento

Natureza do solo

Talude

Solos muito compactos

Solos de média coesão

Solos soltos (arenosos)

Ângulo = 63° m = 0,5 metro

Ângulo = 45° m = 1,0 metro

Ângulo = 34° a 26° m = 1,5 a 2,0 metro

Obs.: Em um talude com ângulo = 33°33’, equivalente a 1 : 1,5 o valor de m = 1,5 metro.

Comprimentos de Sulcos de Irrigação em Função da Declividade, Natureza do Solo e Vazão:

Declive

Do sulco

(%)

Solos de textura fina

Solos de textura média

Solos de textura grossa

Aplicação

de 50 mm

Aplicação

de 100 mm

Aplicação

de 50 mm

Aplicação

de 100 mm

Aplicação

de 50 mm

Aplicação

de 100 mm

0,05

0,10

0,15

0,20

0,25

240 m

240

240

300

300

240 m

240

240

300

300

240 m

240

240

280

240

240 m

240

240

300

300

90 m

90

90

80

70

130 m

130

130

110

95

Obs.: Considerando os sulcos com seção adequada e que seja aplicada a vazão máxima não erosiva.

4 - Escolha do Sistema de elevação - Se nescessário, obdecer os mesmos passos dos sistemas de irrigação por "Conduto Forçado". No geral, a irrigação por escoamento superficial, a área de irrigação se encontra abaixo da fonte hídrica.